CONTRA OS SAPATOS MARRONS COM MEIAS MARRONS E CALÇAS BEGES COM MEIAS BEGES E SAPATOS PRETOS COM MEIAS PRETAS.

 

É desses “How To”, dos incontáveis “Certo e Errado” ou das cartilhas de “Guide de Estilo” que nascem homens inseguros e com medo de arriscar. Como podemos aceitar um estilo enlatado, gerido por um modelo de negócio industrial, a favor de uma sociedade homogênea. Alguém já parou para pensar que regras de vestimentas são frutos de uma sociedade manipulada e dominada culturalmente e politicamente? 

A "cartilha" que você estuda:

O que é social? O que é casual? Feita assim, de imediato, essa pergunta pode parecer um contra-senso, mas não temos dúvidas em afirmar que ela possui uma enorme procedência, quando percebermos tratar-se de uma questão que ultrapassa o mero âmbito das formalidades de vestimentas.

Essa pergunta atinge em cheio questões de homogeneização de uma cultura nacional a favor de uma única causa: sim, política. Inúmeros eventos políticos brasileiros nos levou para esse “entorpecimento” cerebral. Do período colonial do século XVI até a primeira metade do século XIX, é possível verificar como todos os acontecimentos políticos e sociais influenciaram a roupagem (em todos os sentidos da palavra) da nossa cultura nacional.

Da pintura à escultura, da arquitetura à poesia, da literatura à moda, da política ao pensamento crítico de todas as formas.

Uma forte ruptura nos padrões estéticos brasileiros aconteceu durante o século XIX, com a importação e a institucionalização do Romantismo no Brasil. Nenhum outro período da nossa história foi tão fortemente marcado. Se já tínhamos algumas dívidas estéticas, vigentes, com Portugal, agora passaríamos a ter também com a França. “Bonjour, trem!!” 

(Leiam sobre a Belle Époque Brasileira, que aconteceu, principalmente, no Acre, Pará, Amazônia, Minas Gerais)

Perceba como, a partir desse fato, é possível reconhecermos em nossos comportamentos ou, mesmo, em pequenas escolhas diárias, os motivos de apreciarmos mais um código do que outro. É possível entender também as nossas razões de uma busca angustiante, por uma identidade de estilo, porém sempre, sempre, sempre pautadas nos tais “Guides de Estilo”.  A dicotomia aqui se torna clara: buscamos sim por originalidade, mas num processo referencial. Ou seja, olhando para o vizinho e não para dentro de nós.

É evidente que não estamos falando aqui, apenas, sobre a eficiência ou ineficiência do Romantismo nos padrões estéticos brasileiros, mas sim da fragilidade de códigos e manifestações, autenticamente, brasileiras. Propor essa reflexão, seja através de nossas criações, seja com o nosso time, tem sido a nossa missão, não apenas como estilistas de moda, mas como brasileiras. 

Moda é também uma representação classificatória do quão autêntica e original é uma nação. Por isso, cada vez mais, se torna crucial para as marcas brasileiras, partirem dessa “tendência localista” para as suas criações. Convidarem seus times de criação a refletir sobre a importância da moda na construção da expressão de uma identidade nacional é fundamental.

A busca da origem da nossa cultura é o tema recorrente em todo o nosso processo de trabalho. Julgamos impossível ignorar o fato de que somos sim uma mistura de nações (leia mais no “Nossa História”), mas que é apenas através dessa mistura que podemos iniciar uma emancipação da identidade estética brasileira.

Essa clareza, só nos leva a crer que qualquer classificável, só servirá para entorpecer os nossos cérebros. E que, hoje, qualquer tipo de manifestação é bela. É o nosso dever combater, de todas as formas, pela criatividade e pela liberdade das vestimentas. Deixemos que nossa brasileira imaginação retome os seus direitos.

Esperamos, de todo o nosso coração, que essa reflexão renda muitos frutos nos diálogos e trabalhos de nossos clientes leitores, arquitetos, engenheiros, professores e designers. 

A Wolken não é uma tradicional de moda. Acreditamos que moda é mais do que vestimenta ou breves adereços de estações de ano. Moda é saber fazer. Moda é erudição, é construção, moda é manifesto. Moda é a bandeira individual mais importante de um coletivo. Espere da Wolken processo construtivo e criatividade a favor da liberdade e da formação de uma identidade individual dos nossos clientes. 

O belo não é o mesmo em todas as épocas!

Somos a Paixão pela Academia Alemã e o Amor pelo Design Brasileiro.

Amanda Daud e Camila Freitas.

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